O dia 8 de março assinala o Dia Internacional da Mulher, uma data fundamental na luta pela igualdade dos géneros e pelo reconhecimento dos direitos das mulheres em todo o mundo. O dia tem as suas origens nos movimentos operários do século XX, quando as mulheres trabalhadoras começaram a exigir melhores condições de emprego, o direito de voto e a igualdade de direitos civis e políticos. Ao longo dos anos, esta data evoluiu para se tornar um símbolo global dos direitos das mulheres e da luta contra todas as formas de discriminação e violência baseada no género.

Desde 1975, data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente o Dia Internacional da Mulher, todos os anos, a 8 de março, são promovidas acções para chamar a atenção para as desigualdades que persistem em diferentes áreas da sociedade, como o acesso ao emprego, a representação política, a educação e a participação nos sistemas de justiça. Embora se tenham registado progressos significativos em muitos países, há ainda um longo caminho a percorrer para alcançar uma verdadeira igualdade de género.

Evolução dos direitos das mulheres na Ibero-América

Nas últimas décadas, os países ibero-americanos registaram progressos significativos na implementação de políticas e regulamentações destinadas a garantir a igualdade de género. A partir da aprovação do direito de voto das mulheres na maioria dos países, até à adoção de leis contra a violência de género e a discriminação no local de trabalho, a região sofreu mudanças importantes.

No entanto, continuam a existir grandes desafios. A aplicação efectiva destas leis, a persistência de estereótipos de género e a falta de igualdade de acesso a oportunidades económicas e políticas continuam a ser obstáculos para muitas mulheres da região. Neste sentido, a COMJIB está a trabalhar ativamente para consolidar estes avanços e reforçar a proteção dos direitos das mulheres na esfera judicial.

Desafios actuais na luta pela igualdade de género

Apesar dos progressos, as mulheres na Ibero-América continuam a enfrentar barreiras em vários domínios. Alguns dos principais desafios incluem:

Apesar dos progressos, as mulheres na Ibero-América continuam a enfrentar barreiras em várias áreas, tais como: a disparidade salarial entre homens e mulheres: de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2023, a disparidade salarial ponderada entre homens e mulheres na América Latina era de 19,8% nos rendimentos mensais, o que significa que, em média, as mulheres ganham cerca de 20% menos do que os homens pelo mesmo trabalho; participação na força de trabalho: A participação das mulheres na força de trabalho remunerada na América Latina e nas Caraíbas é de 52%, o que indica que quase metade das mulheres da região não está integrada no mercado de trabalho formal; Violência baseada no género: A América Latina e as Caraíbas albergam 14 dos 25 países com o maior número de feminicídios do mundo; Participação política: as mulheres detêm 35,8% dos assentos parlamentares na América Latina e nas Caraíbas, o que reflecte um progresso significativo, mas ainda insuficiente, na consecução da paridade de género na tomada de decisões políticas; e Acesso à justiça: numerosos obstáculos impedem o acesso efetivo das mulheres à justiça na América Latina e nas Caraíbas, incluindo a discriminação direta, as ameaças de violência, o analfabetismo e a falta de conhecimento dos seus direitos. Estes factores contribuem para a subnotificação da violência baseada no género e para a elevada impunidade dos agressores.

Estes dados mostram a persistência das desigualdades de género na região, salientando a necessidade de políticas públicas eficazes e de compromissos institucionais para acabar com estas lacunas.

A COMJIB e o seu compromisso com a igualdade de género

Neste sentido, a Conferência de Ministros da Justiça dos Países Ibero-Americanos (COMJIB) associa-se a esta comemoração reafirmando o seu compromisso com a promoção da igualdade de género na região. A COMJIB reconhece que a justiça é um pilar fundamental para garantir os direitos das mulheres e eliminar as barreiras que perpetuam a discriminação e a violência de género.

Exemplos concretos de iniciativas da COMJIB

A relação entre a igualdade de género e a COMJIB é fundamental, uma vez que a instituição trabalha ativamente na criação e no reforço dos quadros normativos que protegem os direitos das mulheres na Ibero-América. Entre as suas iniciativas mais destacadas encontram-se:

  • Programas de formação e capacitação: Através do Programa Ibero-Americano de Acesso à Justiça (PIAJ), a COMJIB promoveu a formação de operadores judiciais com o objetivo de melhorar a resposta aos casos de violência de género e reforçar o acesso das mulheres à justiça.
  • Implementação de protocolos especializados: A COMJIB, em colaboração com a IberRed, promoveu protocolos de atendimento às vítimas de violência de género para garantir uma abordagem unificada nos sistemas judiciais ibero-americanos.
  • Cooperação entre países: Através da Rede Ibero-Americana de Cooperação Jurídica Internacional (IberRed), a COMJIB facilita o intercâmbio de informação e boas práticas entre os países membros para reforçar as políticas de igualdade de género e melhorar a cooperação judicial em casos de violência de género.
  • Utilização da tecnologia para o acesso à justiça: A plataforma Iber@ tem sido um instrumento fundamental para melhorar a cooperação judiciária e permitir uma resposta mais rápida e eficaz nos casos transfronteiriços de violência de género, garantindo uma maior proteção das vítimas.

Cooperação internacional para o acesso das mulheres à justiça

Um aspeto fundamental do trabalho da COMJIB é a cooperação internacional na luta contra a violência e a discriminação com base no género. A organização trabalha em conjunto com organismos internacionais, como a ONU e a OEA, para garantir a implementação de normas internacionais nos sistemas de justiça ibero-americanos. Além disso, promove a utilização de tecnologias inovadoras para facilitar o acesso das mulheres aos serviços de justiça e garantir um atendimento rápido e eficaz em situações de violência ou violação de direitos.

O papel da educação e da sensibilização na igualdade de género

A educação é um instrumento fundamental para erradicar a desigualdade de género. A COMJIB promove acções de sensibilização junto dos operadores de justiça, das forças de segurança e do público em geral, de forma a gerar uma mudança estrutural na perceção e tratamento da violência e da discriminação contra as mulheres.

Neste sentido, tem-se trabalhado em campanhas de sensibilização para promover a denúncia de casos de violência de género, bem como na incorporação de conteúdos de direitos humanos e igualdade de género nos planos de formação das instituições judiciais e das forças de segurança.

Reflexão e Apelo à Ação no 8M

Neste 8M, a COMJIB sublinha a importância de continuar a avançar na construção de sociedades mais justas e igualitárias. O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma oportunidade para refletir sobre as conquistas alcançadas, mas também para renovar o compromisso de erradicar a violência e a discriminação baseadas no género. A COMJIB reafirma a sua determinação em continuar a promover reformas e acções concretas que contribuam para reforçar a igualdade de género na região ibero-americana e garantir que todas as mulheres possam exercer plenamente os seus direitos, sem barreiras nem exclusões.

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